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Publicado em 24/10/2011

Com ênfase na contextualização, Enem desafia o Ensino Médio brasileiro

Se depender do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a velha decoreba está com os dias contados. E talvez até a forma como o ensino médio vem sendo trabalhado no Brasil. Saber regras, fórmulas e diversas informações isoladas sobre cada disciplina, ter o chamado “conhecimento enciclopédico”, não basta para se dar bem no exame que é principal porta de entrada para o ensino superior no país.

E não se trata de uma mudança radical da prova deste ano. Sem grandes surpresas, o Enem cumpriu o que estava indicado na matriz de referência de conteúdos da prova, mantendo o foco em competências e habilidades e não nos conteúdos programáticos. Se por um lado, o nível de dificuldade das questões estava de fácil a médio, por outro, a prova testou a capacidade de contextualização e aplicação dos saberes no dia a dia.

De acordo com a presidente da Comissão de Vestibular da Unibrasil e ex-integrante da Comissão de Vestibular da UFPR, Wanda Camargo, a prova ainda tem muito a melhorar, mas é um excelente processo seletivo, que vai além da cultura livresca, dando importância a textos retirados de revistas de atualidades, quadrinhos e música. “O candidato deve estar ligado no mundo em que vivemos”, diz Wanda.

A pedido da Gazeta do Povo, professores de Curitiba comentaram os principais aspectos do exame, confira a opinião de alguns deles:

“Os conteúdos, apresentados de maneira contextualizada, se constituem em um desafio para os educadores do ensino médio, pois o processo ensino-aprendizagem não pode mais se prender a conhecimentos/conteúdos ministrados de forma fragmentada.”

Dênis Carvalho, professor de Filosofia 


“A qualidade do exame mostra que vale a pena investir nesse modelo de avaliação, ainda que tenham ocorrido problemas logísticos nos anos anteriores. Quanto ao tempo de realização, ele é adequado para alunos preparados, o cansaço de alguns reflete uma escola que não prepara o aluno para pensar. Aposto no sucesso desse modelo e espero que a UFPR adote o Enem como primeira fase do vestibular.”

Daniel Medeiros, professor de História 


“Na parte de Ciências Humanas e suas tecnologias os temas contemplados estavam voltados para a diversidade cultural, a socialização, a cidadania (movimentos sociais), as transformações na forma de organização do mundo do trabalho e as novas tecnologias da informação.”

Kátia Olszewski, professora de Sociologia 


“Na parte de Biologia a prova apresentou um nível fácil/médio. Algumas questões envolviam interpretação de texto que estavam dentro do conhecimento básico adquirido pelo aluno em sala de aula. No geral, a prova foi considerada boa até mesmo pelos candidatos.”

Antonio Luiz Portela (Luizão), professor de Biologia 

“A parte de Biologia, trouxe questões recorrentes, inclusive, com temas já cobrados em 2010, como vacinas, osmose e endemias. A prova poderia ter abordado temas mais atuais, já que tivemos um ano rico em acontecimentos, envolvendo diretamente a Biologia, como o acidente nuclear no Japão e a bactéria E coli na Europa.”

Geraldo Cardoso Sobrinho professor de Biologia 


“Em algumas questões foi possível estabelecer conexões entre as três disciplinas fundamentais das ciências da natureza e até mesmo com conceitos da geografia, pois, para uma melhor interpretação dos assuntos cobrados, era necessário que o aluno conseguisse fazer uma relação entre conceitos de Química, Física e Biologia. Como exemplo, podemos citar as questões sobre desmatamento da Mata Atlântica, processo de caiação para eliminação de microrganismo, nutrientes limítrofes com concentração das soluções, conservação de energia com combustão e biocombustíveis.”

Antônio Marangon, professor de química 


“A prova de Física melhorou muito em relação aos anos anteriores, exigindo mais conhecimento técnico e conceitos. Os assuntos de ondulatória e eletricidade prevaleceram sobre os demais. Enunciados mais claros (exceto a questão do Titanic) e mais objetivos diminuíram o tempo para a realização da prova.”

Marcelo Solla, professor de Física 


“O que se pôde perceber foi uma feliz combinação entre questões que exploraram aplicação de conceitos físicos no cotidiano, leitura e entendimento de manuais de instrução de aparelhos, uso de equações, interpretação de textos e gráficos, compreensão e comparação de fenômenos naturais, raciocínio lógico dedutivo ou indutivo, identificação de grandezas físicas e uso de conceitos físicos em aplicações tecnológicas. Ainda que o trabalho matemático tenha sido relegado a um segundo plano, se engana quem imagina que foi uma prova simples e que não havia necessidade de se conhecer Física para se obter um bom desempenho. Ao contrário, diversas questões exigiam muita concentração e reflexão dos alunos.”

Euler de Freitas, professor de física 


“As questões de Língua Portuguesa já deixaram clara, em outros anos, sua função: a averiguação das capacidades linguísticas e textuais básicas do aluno, que deve mostrar conhecimento aplicado das normas da língua padrão e compreensão global da estruturação textual. A prova de Linguagens foi acessível para o aluno que se supõe leitor e escritor consciente.”

Bruno Kober, professor de Língua Portuguesa 


“A proposta de redação trouxe no próprio enunciado os elementos que nortearão a correção e, com um tema abrangente – Século XXI: os limites entre o público e o privado – permitiu aos candidatos várias possibilidades de elaboração. Por exemplo, a ideia de como a vulgarização da exibição do corpo ou a exposição de comentários agressivos pode levar o usuário da rede a sofrer as mesmas consequências sociais às quais está exposto no mundo real. Também, a possibilidade de trabalhar com situações em que o indivíduo perde o poder de autonomia e se submete a um ente regulador, em geral, o Estado. A tira da proposta pode ser associada a George Orwell, em seu brilhante 1984.”

Cleuza Cecato, professora de Produção de Texto 


“As questões ligadas à Literatura envolveram textos de clássicos da Literatura Brasileira, além de textos da atualidade. A prova exigiu muita interpretação de texto e bom entendimento do enunciado, sendo bem acessível ao candidato que conseguiu interpretar os fragmentos. Em certas questões era mais necessário o conhecimento semântico do que qualquer outra informação sobre a obra citada.”

Neida Padilha, professora de Literatura 


“No geral, a prova de inglês estava fácil. Das cinco questões, em quatro delas foi possível chegar rapidamente às respostas corretas por serem os textos simples e curtos. Na questão com texto extraído da revista Speak Up, a dica que leva à resposta correta está no próprio enunciado. A questão War exigiu um pouco mais de atenção pelo estilo, vocabulário e estrutura gramatical da letra de Bob Marley.”

Anne Cristina Martins, professora de Inglês 


“Três dos cinco textos da prova de espanhol fazem referência à América Hispânica (Peru, Argentina e México),e colocam em evidência o interesse do governo brasileiro nessa região. Causa um pouco de estranheza a concentração nos meios de comunicação da Espanha, já que a maioria dos textos foi retirada de jornais ou blogs desse país. Em geral, as perguntas são fáceis e algumas mostram a resposta no próprio enunciado.”

Marcela Narvaéz professora de Espanhol


Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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