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Publicado em 21/05/2016

IMPORTÂNCIA DA ESCOLA NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Durante os primeiros anos de vida, a criança vive intensa relação de dependência física com a mãe. A espécie humana é uma das raras do planeta em que os recém-nascidos dependem totalmente dos cuidados da genitora para sobreviver. Morreriam de fome e frio sem os cuidados básicos e não seriam humanizados se não tivessem contato físico e emocional com os pais e, posteriormente, a incorporação da cultura. Nossa espécie é a única que necessita de símbolos, valores, linguagem, afeto e aprendizagem para viver. Apesar da grandeza perante outros seres vivos, o humano é uma criatura frágil. Nossos espécimes adultos têm menos da metade da força física de um chimpanzé, por exemplo.

Há um paradoxo, no entanto, entre tantos outros que organizam a vida humana. Aquilo que se considera a maior riqueza do ser humano, seus vínculos e laços sociais, é ao mesmo tempo sua maior fraqueza, pois essa extrema dependência faz dele uma espécie cujos comportamentos e atitudes são guiados pelo medo e pela esperança.
Se, por um lado, o bebê é absolutamente dependente de seus cuidadores, por outro se torna adulto infantilizado se não adquirir independência dos pais que um dia cuidaram dele. No início da vida são fundamentais, mas haverá um tempo em que os filhos terão que deixar os pais e estes, igualmente apegados, terão de aceitar a difícil arte de tornar-se desnecessários.

Por que a escola é importante para o desenvolvimento da infância?
 

O fundador da psicanálise, Sigmund Freud, dizia: “É absolutamente normal e inevitável que a criança faça dos pais a primeira escolha amorosa”. Para Freud, o primeiro amor da vida de uma criança é a mãe. Mas se a criança não se desprender, tornar-se-á na adolescência o “filhinho da mamãe”. O “tudo da mamãe”. Um jovem arrogante, onipotente, que mais tarde, ao ser convocado pela vida social, agirá como um “adultescente” narcisista, incapaz de dividir, de fazer trocas e alianças sociais.

Por volta dos cinco anos, a criança já não é mais somente uma criança. É um menino ou uma menina e descobre que a mãe não é tudo e que o mundo é feito de coisas e pessoas diferentes. A mãe deixa de ser sua fonte única de identificação. Cabe ao pai, doravante, descolar o filho da mãe e empurrá-lo para o mundo. Depois disso os pais, juntos, procuram novo “ninho” fora de casa. Bons pais ajudam a criança a descobrir que eles não são tudo para os filhos e que a família não é a única fonte de relação com o mundo.

Na escola a criança aprende mais a lidar com as diversidades e as adversidades. No campo das novas identificações, ela descobre que há outras realidades além da psíquica na qual se realizava. Suas fantasias e crenças imaginárias vão aos poucos sendo mescladas por realidades mais contundentes. A esperança da completude e o sonho de ser a única entre todas são interrompidos pelas fronteiras e os limites do mundo. A criança encontra outros laços afetivos e compreende que os pais não são a única fonte de amor e, por isso, ela finalmente ficará pronta para amar e odiar outras pessoas, aprendendo que o mundo não é feito apenas de vitórias. “Num dia a gente ganha, no outro dia a gente perde.” São perdas necessárias para a criança entender que não somos apenas aquilo que temos. Somos também aquilo que nos falta. Que não somos apenas aquilo que dizemos ser, mas também o que o grupo, a escola e a sociedade esperam que sejamos.
 

A escola se apresenta a esse aprendiz que então estará pronto para amar e sofrer. Se a criança for orientada para sua autonomia, ela se dará bem na escola. Se for orientada para a dependência e onipotência, enxergará a escola como uma concorrente da família, como um fantasma amedrontador. E tal como a madrasta malvada de Branca de Neve que um dia descobriu que existia alguém mais bela que ela, a escola será esse espelho cruel para a pobre criancinha cujos pais acreditam que a única imagem que um espelho pode refletir é a dos seus filhos.

Não exageremos! Embora o egoísmo seja necessário na infância, ele deve ter seu prazo de validade interrompido na escola. O mundo é relacional e nós precisamos do outro para viver. Caberia concluir que o efeito pedagógico, amoroso, da escola instala no psiquismo da criança uma lei imperativa para a vida social, que se traduziria nos seguintes dizeres afixados num edital imaginário: “ESCOLA: aqui termina o eu. Aqui começa o outro”. A escola é essa fronteira e, ao mesmo tempo, uma ligação que ajuda a criança a buscar no outro aquilo que lhe falta.
 

 


Autor: Gilberto Gnoato -  Psicólogo, mestre em psicologia pela UFPR, psicoterapeuta há mais de 20 anos e professor de antropologia.


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